RECORDAÇÃO
Faz tanto tampo, mas me lembro ainda
O canto dos pássaros eram cantos de amor
Formavam frases lindas, eram hinos de louvor!
Chilreios de melancolia.
E agora? será que eles esqueceram a musiquinha de antigamente?
O que será que mudou? Eles não cantam mais a antiga
melodia!
A chuva era dadiva do céu, trazia vida, esperança e tranquilidade.
Suas gotas faziam uma música de Deus.
O perfume das flores trazia inspiração
A lua, as estrelas e o sol brilhavam com maior intensidade.
Agora, vago entre as flores, olho as estrelas e a lua
Tudo isto perdeu o sentido... o que será que mudou?
Eu me lembro...
Do pomar, das laranjeiras floridas, do sabor das frutas ali colhidas,
da fonte d'água que jorrava abundante
O caminho que a ela conduzia com folhagens e trepadeiras ornamentada.
Do rio, da cachoeira e da prainha,
da roça, dos canaviais, da lida do gado
E da casa que eu amava demais, que saudade!
O vento de leve soprava e me envolvia num abraço de felicidade
e ventura.
Eu cantava, eu sonhava, eu era feliz!
Infância e juventude se passaram
muitos amigos já partiram, o destino assim o quis.
Acidentes geográficos aconteceram mudando o destino de muita gente,
Está mudado também, o lugar onde nasci!
Com meu coração transbordando de saudade e toda esta natureza
ao meu redor,
com a música dos pássaros, o perfume das flores,
das frutas o sabor, a brisa, o vento do sol o calor.
Tudo aqui está querendo minha felicidade, nada mudou!
É reflexão, é saudade!
Ah! deixa-me respirar fundo quero sentir de novo o cheiro da
natureza das flores e frutas, os seus aromas.
Quero abrir minha alma ao criador destas maravilhas todas.
Vem atender ao meu clamor imploro com todas as minhas forças.
Eu quero ouvir novamente a música dos pássaros como antigamente,
da chuva e dos ventos a mensagem de paz amor e tranquilidade.
A brisa me envolvendo num abraço de felicidade!
Eu quero sentir a sensibilidade do perfume, do canto e da brisa
e poder contagiar meu próximo e dele obter resposta
com a mesma intensidade!
E com a alma renovada voar nesta nuvem envolvente e tornar real a felicidade!
ELVIRA ALTMANN THOMAS
NOVEMBRO 1994